À procura dos direitos humanos…
Na semana de 24 a 29 de Agosto, realizou-se, em Singeverga, mais um campo de férias, este ano com 16 jovens participantes da diocese do Porto. O tema central foi “Direitos Humanos”, tema com extrema relevância pois apesar de estarem implícitos nos 10 mandamentos e terem sido criados em 1948 (devido aos crimes de barbárie que estavam a ser cometidos na altura), continuamos a assistir, na actualidade, a crimes contra a humanidade que atentam à dignidade, à igualdade, à liberdade e à total realização do ser humano…Assim, durante a semana fomos reflectindo sobre a necessidade de vivermos estes direitos.
Visto que os Direitos Humanos se centram no homem e na sua protecção, começamos por reflectir sobre o ser humano, onde tivemos que construir uma frase que o caracterizasse. Deste trabalho surgiram frases como ”Todo o homem é irmão de Jesus e filho de Deus”, “ Todo o homem é feito à semelhança e imagem de Deus”, entre outras. Neste dia foi-nos sobretudo mostrado o ser especial que é o homem e o papel relevante que possui no planeta. Contudo, esta visão foi contraposta no dia seguinte, pois foram-nos apresentadas algumas imagens onde os direitos humanos estão violados, o que nos fez reflectir… Se o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, como pode ser capaz de cometer tantas atrocidades contra si e contra o que o rodeia?
Também neste dia tentamos responder ao desafio de procurar o rosto de Deus, onde o ponto de partida foram os contornos de um rosto que tivemos que preencher com o que imaginávamos ser o rosto de Deus. Daqui surgiram rostos completados com crianças, idosos, pessoas fragilizadas e até toda a humanidade, mas houve ainda quem dissesse que via o rosto de Deus na Natureza…Percebemos, então, que esta era uma tarefa extremamente difícil, pois o rosto de Deus é uma infinidade de coisas belas que existem…
Na quarta-feira dessa semana reflectimos mais uma vez na aplicação dos Direitos Humanos à nossa volta e vimos que, de um modo geral, todos eram transgredidos: destacamos o direito à liberdade pois, como nos diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos no artigo primeiro, “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Relativamente a isto, deparamo-nos com as seguintes questões: a liberdade existe mesmo ou é uma utopia? Será ela algo que nos liberta ou aprisiona? Concluímos que a liberdade é benéfica pois responsabiliza o homem, mas ficamos também com a certeza que “a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro” e que é premente não confundir liberdade com libertinagem.
Um outro direito também bastante debatido foi o direito ao trabalho, pois à nossa volta assistimos muitas vezes a injustiças em relação aos salários dos trabalhadores e à protecção contra o desemprego. Tudo isto gera problemas a nível social, pois as famílias tornam-se incapazes de se sustentarem bem como sustentar os seus bens, levando muitas vezes a vidas sem dignidade. Ainda a propósito da família, falamos no direito à constituição da mesma, mas que esta tem que ser constituída conforme os ditames da natureza. Foi ainda referido o direito à vida e como transgressão a este direito apresentam-se-nos o aborto, o suicídio, o homicídio entre outros. De todo este debate sobre os direitos humanos ficou-nos ainda uma ideia deveras importante: a um direito correspondem sempre vários deveres que temos que cumprir.
Neste dia vimos ainda o filme “A vida é bela”, que foi uma mais-valia para reflexão acerca do tema, pois o filme relata a vida de uma família que é levada para um campo de concentração, onde os prisioneiros são submetidos a trabalhos forçados, tortura e até morte.
No dia 27, quinta-feira, fizemos revisão de vida de um caso próximo de nós onde estavam a ser violados os direitos humanos. De tarde, fizemos uma caminhada do local onde estávamos alojados até ao Convento das Irmãs Beneditinas. Esta caminhada foi efectuada com várias paragens, onde realizamos exercícios acerca do tema, como por exemplo descobrir direitos violados numa sopa de letras, escrever uma carta a alguém importante sobre um direito humano que estava a ser violado, entre outras tarefas. Depois de lá chegarmos ouvimos o testemunho de uma das irmãs, que nos falou da sua vocação.
A sexta-feira foi um dia virado para a interioridade, em que fizemos Lectio Divina sobre a parábola da mulher adúltera. Nesse mesmo dia, fizemos preparação para a confissão, que se seguiu. Durante toda a semana tivemos eucaristia presidida pelo Pe. Marcelino que, aliás, esteve todos os dias presente nos trabalhos. Além dele, contamos também com a presença permanente do seminarista João Pedro, que nos levou a momentos de reflexão dentro e fora dos grupos.
Terminámos a semana com uma celebração da palavra onde ficamos com a seguinte mensagem: somos um presente de Deus, sobretudo para os outros. Nessa mesma celebração fizemos os nossos compromissos, pois partimos para os nossos meios com a certeza de que o campo de férias não terminou naquela semana, mas antes foi o ponto de partida para a longa caminhada que ainda temos que percorrer em A.C.R…
Alexandra Ferreira e Inês Magalhães
Silvares

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